
A História de Campo Maior
Remonta à origem dos tempos a presença humana no território onde hoje se situa o concelho de Campo Maior.
Diversas evidências comprovam este facto, desde cerâmicas, moedas, inscrições, até mesmo machados de pedra encontrados ao longo dos tempos e que vêm revelar uma existência desde as épocas mais recuadas.
Porém muito pouco se sabe desses tempos, desconhecimento que se estende até ao fim da presença Muçulmana em Campo Maior, em meados do Séc. XIII. Foi nesta altura, mais precisamente em 1219, em pleno reinado de Afonso IX, Rei de Leão, que a então aldeia de Campo Maior foi conquistada aos mouros por uma família do então concelho de Badajoz, a família Peres.
Mais tarde, por volta de 1255, esta localidade, por determinação de Afonso X, rei de Leão, foi doada á igreja de Santa Maria de Castela de Badajoz, da qual era na altura bispo D.Fr. Pedro Peres pertencente este também á família já referida. Ainda em 31 de Maio desse mesmo ano é elevada a vila pelo rei Afonso X.
Em 1297 Campo Maior, conjuntamente com Elvas e Olivença, passa a pertencer à coroa Portuguesa por troca com outras povoações, no denominado tratado de Alcanizes, firmado pelo rei de Leão e Castela D.Fernando IV e el-rei de Portugal D.Diniz. É-lhe então conferido por D.Diniz o título de vila portuguesa e um foral com inúmeros privilégios, por volta do ano de 1309. Em 1310 é mandado reedificar o castelo e amplia-lo, tornando Campo Maior numa das maiores fortalezas portuguesas.
No Séc. XV a vila crescia já para lá das muralhas. A Rua Direita, fora das muralhas, já existia em 1483, e por volta de 1500 a maior parte dos terrenos onde se encontram actualmente a Rua da Soalheira, a Rua Quebra-Costas, a Rua do Poço, a Rua da Paterna, a Rua Direita e a Rua da Estalagem Velha já estavam ocupadas com habitações.
Em 1512 através da carta de foral concedida por D.Manuel, a vila é incorporada no património da coroa com o privilégio de não lhe ser possível sair dela, de modo a assegurar a sua fidelidade ao Rei de Portugal.
Anos mais tarde uma epidemia de peste abate-se sobre Campo Maior, obrigando a população a abandonar a vila e a refugiar-se num local a que ainda hoje se chama Choças.
No Séc. XVI, já se encontravam habitações para lá dos Cantos de Baixo em direcção à Avenida. A rua de São Pedro já existia em 1530 e a então denominada Rua da Canada em 1561.
Os séculos que se seguem irão ser de Guerras, tragédias e profundas alterações na vila de Campo Maior.
Em 1640, devido à guerra com Castela e ao crescimento desmesurado da vila para lá das muralhas, surge a necessidade de uma nova fortificação, com cerca de 4 Km de perímetro, para defesa das habitações destas novas ruas. Manda então El rei João IV para Campo Maior elevadas somas de dinheiro, assim como engenheiros militares e operários especializados, dando também emprego a numerosas pessoas da vila no trabalho de edificação das novas muralhas "à francesa". É nesta altura grande o contingente militar situado em Campo Maior. Calcula-se que uma em cada quatro pessoas residentes na vila era militar.
Em 1712 a vila é sitiada tendo sido destruída grande parte das muralhas, mas tendo resistido heroicamente a brava população.
Em meados do ano de 1732 uma nova desgraça se abate sobre a vila. Desta vez uma trovoada faz cair um raio numa das torres do castelo, torre esta que servia de paiol, funcionando como uma bomba. A explosão e incêndio que se seguiram dizimam 2/3 da população da vila. D João V ordena a reconstrução do Castelo por forma a evitar invasões espanholas, ficando este de dimensões mais reduzidas.
A vila erguer-se-á lentamente das ruínas para voltar a ocupar um local de destaque nos momentos de guerra.
No Séc. XVII é terminada a construção da igreja da Matriz e Misericórdia.
Dois séculos mais tarde, ou seja em pleno século XIX, Campo Maior é cercada primeiro pelos espanhóis, em 1801, e depois pelos Franceses, em 1811, resistindo com bravura.
É nesta altura e como resultado das lutas internas em Espanha, que Carlistas e Republicanos se refugiam em Campo Maior entre 1834 e 1873.
Por volta de 1858 é inaugurado o actual cemitério.
Em 1859 os três últimos condenados à morte são executados no pelourinho da vila e sete anos mais tarde são mandadas calcetar as ruas de S.Pedro e das Pereiras. No ano seguinte é inaugurada a Ermida de S.Joãozinho. É nesse mesmo ano que se realizam os primeiros bailes de máscaras no Teatro do Castelo.
Em 1867 é feita uma tentativa de extinção de Campo Maior enquanto concelho, tentando agregar este e Ouguela ao concelho de Elvas. Esta decisão provoca um protesto colectivo por parte da população e em 13 de Dezembro desse mesmo ano a vila entra numa greve geral, sendo relembrado este dia pela mudança do nome da Rua da Canada para Rua 13 de Dezembro.
Quatro anos mais tarde a Câmara Municipal divide a defesa da Godinha em porções de cinco alqueires que sorteia e entrega a mais de 1300 chefes de família. Em 1881 é inaugurada a praça de touros de Nª Sr. da Enxara.
A partir de 1926 com o Estado Novo, é que Campo Maior fica definitivamente sede de concelho, englobando a freguesia de Degolados.
A nossa Ouguela é antecessora desta história gloriosa...
Com existência desde o tempo dos Romanos, a cidade de Búdua passou a chamar-se NINGUELA.
Pelo TRATADO DE ALCANIZES Ouguela passou À coroa Portuguesa.
Deixou de ser concelho no final do séc. XIX...
Elementos Históricos:
É povoação muito antiga, que veio à coroa de Portugal no reinado de D. Dinis, em 1297 (tratado de Alcanizes). D. Dinis deu-lhe foral, com muitos privilégios, por carta de Lisboa, de 5-1-1298.
D. Manuel concedeu-lhe foral novo, também em Lisboa. a 01-06-15l2. Eram seus donatários os Cunhas, senhores de Tábua. e a freguesia tinha o título de priorado. da apresentação alternada da Santa Sé e do bispo de Elvas.
A vila está situada no alto de um monte muito escarpado, na margem esquerda da ribeira de Abrilongo, e perto da confluência desta ribeira com o Távora, nas proximidades da raia.
A sua situação anda glosada numa quadra popular regional, onde te lhe chama cidade: «Bela cidade de Ouguela / Dá vistas à Lafargueira; / Mal empregada cidade / Estar em tão alta ladeira».
Teve Ouguela um importante castelo. de que restam apenas alguns panos de muralhas e torreões. (modernamente reconstruídos), que se deve a D. Dinis. Data de 1300.
Junto à igreja matriz brota uma fonte de águas minerais, frias, gasosas, de composição mal determinada, mas aplicadas nas doenças do estômago, hidropisias, ténia., etc. A esta fonte se refere o Aquilégio Medicinal, de Fonseca Henriques: «Na villa de Ouguella (...) ha huma fonte de que bebe a mayor parte dos moradores, a que chamão Fonte Velha, da qual te diz, que não cria cousa viva, e que mata todo o bicho vivo, que nella se lança. Usão desta agora para matar as sanguexugas que entrão no corpo, e para as lombrigas...».
Em 1475. por ocasião da batalha de Toro, encontraram-se perto desta vila João da Silva,
alcaide-mor, e João Fernandes Galindo, alcaide-mor de Albuquerque, em Espanha.
Ambos morreram dos ferimentos recebidos no recontro, o segundo no próprio local, e João da Silva 28 dias depois. Em 1551 Diogo da Silva, neto do alcaide-mor de Ouguela, mandou colocar uma cruz no local do combate. Encontra-se hoje no museu de Elvas.
Aquando das guerras da Restauração, o exército espanhol, comandado pelo marquês de Torrecluso, invadiu Portugal pelo Alentejo. Para o coadjuvar na empresa de tomar Ouguela, ofereceu-se. ao espanhol, João Rodrigues de Oliveira, governador de Vilar de Rei e que no Brasil deu mostras de grande valor como soldado, atingindo o posto de sargento-mor. Regressado a Portugal, após a aclamação de D. João IV, passou ao Alentejo, de onde fugiu para os espanhóis, recebendo, em recompensa, o posto de mestre de campo e o cargo de governador de Vilar de Rei. Pensando em conquistar Ouguela para o partido onde se tinha filiado, após as mercês recebidas do rei de Portugal, marchou em direcção à praça portuguesa, acompanhado de seiscentos cavalos e outros tantos infantes escolhidos na noite de Sábado, que se contaram nove do presente mês (Abril de 1644) e para este efeito partiu com eles de Vilar de Rei na calada da noite propicia a seu deslgnio».
Por Castela andavam os Portugueses pilhando o gado para alimento das tropas defensoras da independência. Quatro de Campo Maior, vendo as tropas inimigas em marcha, esconderam-se e, quando a retaguarda passava junto deles, misturaram-se-lhe, ouvindo da boca dos invasores os seus planos. Tomando por veredas, chegaram a Ouguela duas horas mais cedo do que o inimigo e, avisando o governador, Pascoal da Costa, este organizou a defesa da praça e com tal denodo se houve que não valeram os petardos que os Espanhóis fizeram rebentar junto das portas do castelo, nem as promessas que João Rodrigues de Oliveira fizera ao sitiado, que tinha sido cabo de esquadra e servido sob as suas ordens no Brasil. Na defesa de Ouguela portaram-se com valentia, não só o minguado número de soldados da guarnição, como os habitantes da vila e entre eles uma mulher, de nome Isabel Pereira, que obrou prodígios, «quer pelejando nas trincheiras, como repartindo pólvora e balas aos soldados; e retirada ao castelo ficou desacordada por algum espaço com a ferida que lhe deram, até que tornando em si, e vendo que não era perigosa, prosseguiu a pelejar com maiores brios até o fim».
Em 1762 o capitão de cavalaria Brás de Carvalho, defendeu-se heroicamente em Ouguela de um ataque dos Espanhóis.
Cronologia:
Período romano - terá sido romanizada com a designação de Budua;
período visigótico - terá tido a designação de Niguela;
1230, após - conquista definitiva aos mouros, provavelmente por tropas castelhanas e leonesas;
1255, 28 de Maio - os homens-bons do concelho de Badajoz doam Ouguela e outras localidades ao Cabido e ao Bispo de Badajoz;
1270, 25 de Junho - a justiça em Campo Maior e Ouguela passa a ser exercida por juizes régios e não pelo bispado de Badajoz;
1297, 12 de Setembro - passa a integrar o domínio português pelo Tratado de Alcanizes;
1298 - foral de D. Dinis;
reinado de Dinis - reedificação; Guerra da Independência - toma partido por Castela;
1392 - cortam-se os laços de dependência eclesiástica relativamente ao Bispado de Badajoz;
1420, 7 de Dezembro - D. João I transforma a vila em couto de homiziados;
reinados de D. Fernando a D. João I - reedificada e ampliada a cerca de muralhas;
edificação da primitiva igreja, orientada, situada sensivelmente no centro da praça;
1509 - 1515 - desenhada por Duarte d'Armas;
1512 - foral de D. Manuel I;
Séc. XVII - início da construção da fortaleza abaluartada com a participação de Nicolau de Langres;
já construídas no interior da Praça as casas dos oficiais e famílias dos militares e a Casa da Câmara;
1644 - o Marquês de Torrecusa tenta conquistar o castelo que resiste heroicamente sob o comando do Capitão Pascoal da Costa (proporção de 45 soldados para 1500 cavaleiros e 1000 infantes pela parte espanhola);
Séc. XVIII - construção da Igreja de Nossa Senhora da Graça e das casas da governação da Praça;
1755 - já edificados o baluarte, o meio baluarte e o revelim;
1762 - resiste aos invasores espanhóis sob o comando do Cavaleiro Brás de Carvalho; 1799 - Casa do Governador;
1755 / 1803 - planta e perfil de Ouguela mostrando a atalaia e a existência de fosso e estacaria;
Séc. XIX - a área a Oeste, definida pelas construções abaluartadas, passa a funcionar como cemitério da povoação; nos inícios do século existiam ainda as guaritas nos ângulos da 2ª linha defensiva;
1803 - sob o comando do Marquês de la Reine, construção, pelo Sargento-Mor de engenharia Maximiano José da Serra, das lunetas do Cabeço da Forca e No Mártir;
1828 - projecta-se recuperar uma das torres a S. do castelo;
1829 - projecta-se a construção de uma meia lua para protecção da entrada a Este;
1840 - desmilitarização da Praça.
As coisas que eu não sabia...Mas Mangualde também tem história! Qualquer dia escrevo!
Abraço. WB